Congelamento de óvulos: como funciona e qual é a melhor idade para fazer?
Entenda como funciona o congelamento de óvulos, qual é a melhor idade para realizá-lo, quantos óvulos podem ser necessários e quais são as chances futuras de gravidez.
8/18/20263 min read


O congelamento de óvulos, também chamado de criopreservação de oócitos, é uma técnica utilizada para preservar a fertilidade feminina. Ele permite que óvulos coletados hoje sejam armazenados para uma possível utilização no futuro.
A técnica pode ser utilizada tanto por mulheres que desejam adiar a maternidade quanto por aquelas que passarão por tratamentos ou apresentam condições capazes de comprometer sua fertilidade.
Mas existe uma questão fundamental: o congelamento não interrompe o envelhecimento da mulher, mas preserva a idade dos óvulos no momento em que foram coletados. Por isso, a idade em que o procedimento é realizado influencia diretamente as chances futuras.
Qual é a melhor idade para congelar óvulos?
De forma geral, quanto mais jovem a mulher no momento do congelamento, maiores tendem a ser as chances futuras de utilização daqueles óvulos com sucesso.
Isso acontece porque, com o avanço da idade, ocorre não apenas uma redução da quantidade de óvulos disponíveis, mas também um aumento progressivo das alterações cromossômicas nos óvulos.
Por esse motivo, quando o objetivo é adiar a maternidade, realizar o procedimento antes dos 35 anos costuma oferecer resultados mais favoráveis.
Isso não significa que mulheres após os 35 anos não possam congelar óvulos. O procedimento continua sendo possível, mas pode ser necessário obter um número maior de óvulos para alcançar uma expectativa semelhante de sucesso.
Como é feito o congelamento de óvulos?
O tratamento geralmente envolve três etapas principais.
1. Estímulo ovariano
A mulher utiliza medicamentos hormonais por aproximadamente 8 a 14 dias para estimular o desenvolvimento simultâneo de vários folículos.
Durante esse período, são realizadas ultrassonografias para acompanhar a resposta dos ovários.
2. Coleta dos óvulos
Quando os folículos atingem o desenvolvimento adequado, os óvulos são coletados por meio de uma punção transvaginal guiada por ultrassom.
O procedimento é realizado sob sedação e costuma ser rápido.
3. Vitrificação
Os óvulos maduros são congelados utilizando uma técnica chamada vitrificação, que permite o resfriamento extremamente rápido e reduz a formação de cristais de gelo.
Eles podem então permanecer armazenados para utilização futura.
Como os óvulos são utilizados no futuro?
Quando a mulher decidir utilizar seus óvulos, eles são descongelados e os que sobrevivem ao processo podem ser fecundados em laboratório.
A fecundação geralmente é realizada por meio da ICSI, técnica na qual um espermatozoide é introduzido diretamente no óvulo.
Os embriões formados são cultivados em laboratório e posteriormente podem ser transferidos para o útero.
Quantos óvulos preciso congelar?
Não existe um número capaz de garantir uma gravidez.
A quantidade necessária depende principalmente da idade da mulher no momento da coleta. Quanto maior a idade, maior tende a ser o número de óvulos necessário para atingir determinada probabilidade de nascimento.
Os estudos mostram que mulheres que conseguem armazenar 20 ou mais óvulos maduros antes dos 38 anos podem alcançar probabilidades cumulativas de aproximadamente 60% a 70% de pelo menos um nascimento.
Esses números são estimativas populacionais e não representam garantia individual. Em algumas mulheres, pode ser necessário realizar mais de um ciclo para alcançar o número de óvulos planejado.
Quem pode considerar o congelamento de óvulos?
Existem diferentes situações.
O congelamento pode ser considerado por mulheres que desejam postergar a maternidade por motivos pessoais ou profissionais.
Também possui importante indicação médica antes de tratamentos que possam comprometer a função dos ovários, como algumas modalidades de quimioterapia e radioterapia.
Outras situações incluem endometriose, especialmente quando existe possibilidade de cirurgia ovariana, algumas doenças autoimunes e condições associadas ao risco de redução precoce da função ovariana.
Congelar óvulos garante uma gravidez no futuro?
Não.
O congelamento de óvulos deve ser entendido como uma estratégia para preservar possibilidades reprodutivas, e não como uma garantia de gravidez futura.
Nem todos os óvulos sobrevivem ao descongelamento, nem todos serão fecundados e nem todos os embriões formados resultarão em uma gestação.
Além disso, embora o óvulo mantenha as características relacionadas à idade em que foi congelado, uma gravidez futura ainda ocorrerá na idade que a mulher tiver naquele momento e deverá considerar os riscos obstétricos associados à idade materna.
Conclusão
O congelamento de óvulos é uma técnica estabelecida de preservação da fertilidade e pode ser uma opção para mulheres que desejam adiar a maternidade ou apresentam risco de comprometimento da função ovariana.
A idade no momento do congelamento e o número de óvulos armazenados são dois dos principais fatores relacionados às chances futuras.
Por isso, o planejamento deve ser individualizado, considerando idade, reserva ovariana, objetivos reprodutivos e expectativas de cada mulher.
Resumo
O congelamento de óvulos permite preservar óvulos para utilização futura. O procedimento envolve estímulo ovariano, coleta e vitrificação dos oócitos. Quanto menor a idade no momento do congelamento, melhores tendem a ser as perspectivas futuras, mas nenhuma quantidade de óvulos garante uma gravidez.
Dr. Luís Felipe Dias
CRM 163.288
Urologia e Reprodução Humana
