Hábitos de vida e fertilidade: o que realmente pode influenciar as chances de gravidez?

Peso, cigarro, álcool, alimentação e atividade física podem influenciar a fertilidade. Entenda quais hábitos realmente têm evidências e o que pode ajudar.

8/18/20264 min read

Quando um casal começa a tentar engravidar, é comum surgir uma série de dúvidas: preciso mudar minha alimentação? Exercício ajuda? Álcool atrapalha? E o peso? Existem hábitos capazes de melhorar a fertilidade?

A resposta não está em uma dieta milagrosa ou em uma mudança isolada. A fertilidade depende de diversos fatores, mas algumas escolhas do dia a dia podem influenciar tanto a saúde reprodutiva feminina quanto a masculina.

Entre os fatores modificáveis com evidências mais consistentes estão peso corporal, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alguns hábitos relacionados ao estilo de vida.

O peso pode afetar a fertilidade?

Sim. Tanto o excesso quanto o baixo peso podem interferir na capacidade reprodutiva.

Nas mulheres, a obesidade pode provocar alterações hormonais e ovulatórias e está associada a menores taxas de sucesso em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV) (saiba mais em https://drluisdias.com.br/fertilizacao-in-vitro-fiv-como-funciona-e-quando-e-indicada).

O baixo peso também pode comprometer a ovulação, principalmente quando está associado à baixa disponibilidade energética.

Nos homens, obesidade e aumento da circunferência abdominal estão associados a alterações hormonais e piora de alguns parâmetros do espermograma (saiba mais em https://drluisdias.com.br/espermograma-como-entender-o-exame-que-avalia-a-fertilidade-masculina).

Por isso, buscar um peso saudável faz parte dos cuidados pré-concepcionais do casal.

Cigarro prejudica a fertilidade?

O tabagismo é um dos fatores de estilo de vida com associação mais consistente com prejuízos à saúde reprodutiva.

Nos homens, fumar está relacionado a alterações na movimentação e morfologia dos espermatozoides e ao aumento da fragmentação do DNA espermático, especialmente entre fumantes mais intensos.

Nas mulheres, o tabagismo também está associado à redução da fertilidade e pode aumentar o tempo necessário para conseguir uma gravidez.

Por isso, a recomendação é que ambos os parceiros interrompam o tabagismo quando estão planejando uma gestação.

Álcool pode atrapalhar quem está tentando engravidar?

O consumo excessivo de álcool pode interferir na fertilidade de homens e mulheres.

Nos homens, o abuso de álcool pode comprometer a produção e algumas características dos espermatozoides.

Nas mulheres, consumos mais elevados também têm sido associados a menores chances de concepção.

Isso não significa que uma exposição isolada determine infertilidade. O que os estudos demonstram é uma associação entre determinados padrões de consumo e saúde reprodutiva.

E a cafeína?

A cafeína merece equilíbrio.

Consumos elevados têm sido associados em alguns estudos a menor fertilidade feminina. Entretanto, as evidências não justificam concluir que tomar café em quantidades moderadas impeça uma gravidez.

A quantidade consumida deve ser considerada, lembrando que cafeína também está presente em chás, energéticos, refrigerantes e outros produtos.

Exercício físico melhora a fertilidade?

A prática regular de atividade física faz parte de um estilo de vida saudável e pode contribuir para a saúde reprodutiva.

Estudos mostram associação entre atividade física moderada e melhores resultados reprodutivos, inclusive em mulheres submetidas a tratamentos de fertilidade.

Mas mais exercício nem sempre significa mais benefício.

Treinamentos muito intensos associados a ingestão calórica insuficiente podem provocar alterações hormonais e ovulatórias. Nos homens, volumes extremos de treinamento também vêm sendo estudados por possíveis efeitos sobre hormônios e parâmetros seminais.

Esse assunto merece uma discussão própria, especialmente entre praticantes de corrida, ciclismo, triathlon e outros esportes de endurance.

Existe uma dieta para aumentar a fertilidade?

Até o momento, não existe uma dieta específica comprovadamente capaz de aumentar a fertilidade.

Alguns padrões alimentares considerados mais saudáveis têm sido associados a melhores resultados reprodutivos em estudos observacionais, mas as evidências ainda não permitem recomendar uma “dieta da fertilidade”.

Uma alimentação equilibrada continua sendo importante para a saúde geral e para manutenção de um peso adequado.

Para mulheres planejando engravidar, a suplementação de ácido fólico é recomendada principalmente para reduzir o risco de defeitos do tubo neural no bebê.

A frequência das relações também importa?

Sim.

A chamada janela fértil corresponde aproximadamente aos seis dias que terminam no dia da ovulação.

Relações sexuais a cada 1 a 2 dias durante esse período proporcionam as maiores chances de concepção. Na prática, manter relações duas a três vezes por semana também costuma abranger adequadamente o período fértil.

Mudar os hábitos garante uma gravidez?

Não.

Esse é um ponto importante.

Hábitos saudáveis contribuem para a saúde reprodutiva, mas não substituem a investigação das causas de infertilidade quando existe dificuldade para engravidar.

Além disso, a idade feminina continua sendo um dos principais determinantes das chances de gravidez, independentemente do estilo de vida.

O objetivo não deve ser buscar hábitos “perfeitos”, mas reduzir fatores modificáveis que possam prejudicar a saúde reprodutiva.

Conclusão

Peso adequado, ausência de tabagismo, moderação no consumo de álcool, atividade física regular e alimentação equilibrada fazem parte dos cuidados com a saúde reprodutiva.

Entretanto, fertilidade é resultado da interação de diversos fatores masculinos e femininos. Quando existe dificuldade para engravidar, mudanças no estilo de vida devem fazer parte de uma avaliação mais ampla do casal (saiba mais em https://drluisdias.com.br/infertilidade-conjugal).

Resumo

Alguns hábitos podem influenciar a fertilidade masculina e feminina. Peso corporal, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão entre os fatores modificáveis com evidências mais consistentes. Atividade física e alimentação equilibrada contribuem para a saúde reprodutiva, mas não existe uma estratégia de estilo de vida capaz de garantir uma gravidez.

Dr. Luís Felipe Dias
CRM 163.288
Urologia e Reprodução Humana