Reversão de vasectomia: chances de sucesso e quando fazer

Reversão de vasectomia: como é a cirurgia microcirúrgica, quais as chances de gravidez e quando vale a pena. Urologista na Bela Vista, em São Paulo.

ARTIGOS

Dr. Luís Felipe Dias – CRM-SP 163.288 | RQE 78.089

10/28/20264 min read

Urologistas fazendo a cirurgia de reversão de vasectomia utilizando o microscópio cirúrgico
Urologistas fazendo a cirurgia de reversão de vasectomia utilizando o microscópio cirúrgico

A reversão de vasectomia é uma microcirurgia que reconecta os canais deferentes, permitindo que os espermatozoides voltem a aparecer no sêmen. Para muitos homens que desejam ter filhos após a vasectomia, ela é uma alternativa eficaz. As chances de sucesso, porém, dependem de fatores como o tempo desde a vasectomia, a técnica necessária e a idade da parceira.

Como funciona a reversão de vasectomia

Na vasectomia, os canais deferentes, que levam os espermatozoides dos testículos até o sêmen, são interrompidos. A reversão reconstrói esse caminho com o auxílio de um microscópio cirúrgico e fios mais finos que um fio de cabelo.

Existem duas técnicas principais:

Vasovasostomia

É a reconexão direta das duas pontas do canal deferente. É a técnica mais utilizada e a que apresenta os melhores resultados.

Vasoepididimostomia

É indicada quando, com o passar dos anos, surge uma obstrução no epidídimo, estrutura localizada junto ao testículo. Nesses casos, o canal deferente é conectado diretamente ao epidídimo. É uma técnica mais complexa, e o retorno dos espermatozoides costuma ser mais lento.

A escolha da técnica é feita durante a própria cirurgia, de acordo com a avaliação do líquido que sai do canal deferente. Em alguns casos, um lado é tratado com uma técnica e o outro com a outra.

Quais são as chances de sucesso da reversão de vasectomia?

Revisões da literatura mostram que, após a vasovasostomia microcirúrgica, os espermatozoides voltam ao sêmen em cerca de 85% a 90% dos homens. As taxas de gravidez natural são menores e variam bastante entre os estudos, ficando em torno de metade dos casais na média, com grande variação conforme o perfil de cada um.

Os principais fatores que influenciam o resultado são:

  • Tempo desde a vasectomia: quanto mais anos se passaram, maior a chance de ser necessária a vasoepididimostomia e menores tendem a ser as taxas de sucesso.

  • Idade da parceira: é um dos fatores mais importantes para a chance de gravidez, assim como sua reserva ovariana.

  • Técnica necessária: a vasovasostomia apresenta melhores taxas de sucesso que a vasoepididimostomia.

  • Achados durante a cirurgia: a presença de espermatozoides no líquido do canal deferente é um bom sinal.

Reversão de vasectomia depois de 10 anos ainda funciona?

Sim, em muitos casos. As taxas de sucesso diminuem com o tempo, mas a reversão continua sendo uma opção mesmo após mais de 10 ou 15 anos. A avaliação individual ajuda a estimar as chances e a discutir as alternativas com o casal.

Quanto tempo depois da reversão é possível engravidar?

Após a vasovasostomia, os espermatozoides costumam aparecer no sêmen entre 2 e 4 meses. Após a vasoepididimostomia, esse prazo pode chegar a 6 meses ou mais.

A gravidez pode levar mais tempo, e por isso o acompanhamento com espermogramas periódicos é importante. Em uma parte dos casos pode ocorrer uma nova obstrução ao longo do tempo. Por isso, em situações selecionadas, pode ser recomendado congelar espermatozoides.

Reversão de vasectomia ou FIV: qual escolher?

A alternativa à reversão é a recuperação de espermatozoides diretamente do testículo ou do epidídimo, associada à fertilização in vitro com ICSI.

A reversão tende a ser mais vantajosa quando:

  • a parceira é mais jovem e tem boa reserva ovariana;

  • o casal deseja tentar a gravidez de forma natural;

  • há planos de ter mais de um filho.

Estudos de custo-efetividade também costumam favorecer a reversão.

A FIV com ICSI pode ser preferível quando:

  • a parceira tem idade mais avançada ou reserva ovariana reduzida;

  • existem outros fatores de infertilidade no casal;

  • há urgência para engravidar, já que o tempo até a gravidez costuma ser menor.

Por isso, a decisão deve considerar o casal como um todo, e não apenas o homem.

Como é a cirurgia e a recuperação?

A reversão de vasectomia geralmente é realizada em ambiente hospitalar, com anestesia, e o paciente costuma receber alta no mesmo dia.

Na recuperação, recomenda-se:

  • uso de suporte escrotal;

  • repouso relativo nos primeiros dias;

  • evitar esforço físico e relações sexuais por algumas semanas.

As orientações específicas são definidas pelo urologista.

Perguntas frequentes sobre reversão de vasectomia

A reversão de vasectomia sempre funciona?

Não. Mesmo com boas taxas de retorno dos espermatozoides, a gravidez depende de fatores masculinos e femininos. A avaliação prévia ajuda a estimar as chances de cada casal.

Os anticorpos antiespermatozoides impedem a gravidez após a reversão?

Eles são comuns após a vasectomia, mas estudos recentes não mostraram relação clara entre esses anticorpos e as taxas de gravidez após a reversão.

A reversão de vasectomia é feita pelo SUS ou pelo convênio?

A cobertura varia. Geralmente o procedimento é realizado de forma particular, e as condições devem ser verificadas em cada caso.

Quais exames são necessários antes da reversão?

A avaliação inclui a consulta com exame físico. Em alguns casos são solicitados exames hormonais e a avaliação da fertilidade da parceira.

Conclusão

A reversão de vasectomia é uma opção eficaz para muitos homens que desejam voltar a ter filhos, especialmente quando realizada com técnica microcirúrgica e após uma avaliação cuidadosa do casal. O tempo desde a vasectomia e a idade da parceira são fatores decisivos, e em alguns casos a fertilização in vitro pode ser a melhor alternativa.

A consulta com urologista que atua em reprodução humana permite avaliar as chances de cada caso e definir o melhor caminho. Atendimento na Bela Vista, em São Paulo, próximo ao Hospital Sírio-Libanês.

Leia também: azoospermia: espermograma zerado é o fim? e por que a infertilidade é uma condição do casal.

Dr. Luís Felipe Dias
Médico urologista – CRM-SP 163.288 | RQE 78.089
Urologia e Reprodução Humana